domingo, 27 de setembro de 2015

Vida, campo, castelos...


Castillo de los templarios - Ponferrada - Castilla y León. Instagram: @brunovskyg

Esta semana fui a vários locais diferentes, ando conhecendo bem a cidade!
Pessoal da universidade anda mais amigo, já chamam para tomar "un cafetín" e assim me fazem me sentir melhor. Observação: tenho aprendido que en Leonês o diminutivo é "-ín" e não "-ito", quase como em português! É uma graça.

Outra coisa, encontrei uns brasileiros que foram muito legais comigo! Fui na casa de Claudia e Osvaldo e lá tinha pão-de-queijo e paçoquinha! Que maravilha... Foram muito amáveis e contaram várias histórias e costumes espanhóis! Ótimo encontrá-los.

Bandejão daqui
Descobri um comedor na universidade onde se almoça muito barato (para os padrões daqui 6 euros é almoço barato!), com primero plato (arroz, batatas com alguma carninha, ou sopa, ou algum caldo, ou salada), segundo plato (com alguma carne, acompanhada de batatas fritas ou alface e tomate - observe este ou, outro dia eu pedi a moça um pouquinho de cada e ela ficou me olhando até eu falar que não precisava, acho que ninguém tinha proposto isso!!!), tem uma sobremesa ou postre (algum doce não muito doce, ou frutas com iogurte - espanhóis acham um exagero doces muito doces, segundo os brasileiros eles acham muito doce o brigadeiro, a goiabada, etc.!). De beber? Um copo de vinho ou de cerveja (não é cerveja ou vinho ruim! Kkkkk.) ou uma garrafa de água. Sim, cada dia provei um e todos foram ótimos. E ainda, um pão (aqui todo mundo come no almoço e janta com pão). Aí você vai pegando o que te apetece, mas se não pega algo continua 6 euros. Se pega algo mais, aumenta um pouquinho... eu achei um preço bem justo e como lá às vezes.

Seminário em espanhol
Fui surpreendido para apresentar um seminário sobre nossa pesquisa e o que vim fazer aqui. Claro que tive uns dias para preparar e o apresentei na terça passada. Em espanhol! Parece que gostaram, disseram que meu espanhol está muito bom, e perguntaram tanto que o seminário durou 1h45! Nossas pesquisas os interessaram muito.

Mercado medieval
Aqui em León acontecem uma vez ao ano, no outono, as Festas de San Froilán, e daí tinha o mercado medieval, no casco antiguo da cidade (região dentro das muralhas medievais), e os donos das tendas todos estavam a caráter (de árabe, judeu, ou cristão medieval), vendendo mil coisas legais, tinha camelo, carroussel medieval, e até aquelas músicas medievais pagãs. Muito legal...

Mercado medieval - festas de San Froilán - León. Instagram: @brunovskyg
"Banda medieval" - Mercado de San Froilán. Instagram: @brunovskyg
Mercado Medieval -  festas de San Froilán - León. Instagram: @brunovskyg
Mercado Medieval - festas de San Froilán - León. Instagram: @brunovskyg

As festas de San Froilán continuam com diversas apresentações, vou ver se vou no próximo fim de semana conhecer um pouco mais dos costumes daqui.

Campo e um pouco mais de Castilla y León
Hoje saímos cedo e acabei por conhecer várias coisas. Vi um pouco de Astorga, e a Catedral de Gaudí (tenho que voltar para parar e conhecer direito), Ponferrada e o Castillo de los templarios (magnífico!), e um pouco dos pueblos (mais interior) da região de Bierzos, que também pertence a comunidad autónoma de Castilla y León. Ali, fomos conhecer muitas plantas com as quais vou trabalhar e depois almoçamos num restaurante tipico. Ah... quase ia me esquecendo, nunca comi tantas frutas no campo (claro, são daqui e às vezes ocorrem como mato): amoras grandes, framboesas, uvas, e maçãs! Muito bom :)
Maravillosas manzanas! Instagram: @brunovskyg
Botânico (tímido) em Espanha. Instagram: @brunovskyg
Fomos, depois, à segunda parte, conhecer as Médulas. São fantásticas... ainda que sejam, na verdade, montanhas que foram erodidas pelos Romanos há uns 2 mil anos para extração de ouro, possuem uma beleza peculiar e uma rede de buracos cuidadosamente calculados para escoamento de ouro de dentro das minas, através de água "bombeada" de localidades próximas. Apesar de ser erosão, é considerada patrimônio mundial da humanidade por seu valor histórico e arqueológico.

Las Médulas - El Bierzo - Castilla y León. Instagram: @brunovskyg


Bom... creio que é isto! Vou tentar escrever mais para não fazer posts tão longos! :D
Que tengan una buena semana!

sábado, 19 de setembro de 2015

Pimentas e tal

Outro dia fui a um bar onde se pedia uma caña, e de tapas vinha um Chorizo em um molho, um chorizo cocido (cozido).

Para quem não sabe, aqui na Espanha tem um embutido que se chama chorizo e é diferente do nosso chouriço. Eu não sei explicar muito bem o que é, é meio uma linguiça ou meio um salaminho, que pode cortar e comer ou utilizar em pratos. E sim, é muito bom!

Que eu saiba, no Brasil o chouriço é enchido com sangue de porco, mas aqui o chorizo é com carne mesmo. (Porém, pelo que vi na internet há em Portugal o chouriço com carne e o chouriço de sangue).

Essa é a aparência do chorizo: 
https://es.wikipedia.org/wiki/Chorizo
Então, continuando o assunto, tinha comprado um chorizo que pica (picante) e resolvi fazer cozido com batatas, pimentão e molho de tomate.
O Sergio apareceu e quis provar, disse que é muito comum na Espanha. Ele então provou e gostou do meu prato improvisado... Nota 10 para o Bruno! =D

Surgiu no meio disso tudo, uma discussão interessante: o nome de pimentas e tal em espanhol e português.

A coisa ficou tão complexa que ele quase pegou um papel para fazermos um esquema da coisa. Tudo isso porque ele disse que a picância do Chorizo era devida ao pimentón. Como eu sabia, pimentão (em português) é pimiento (em espanhol). Então tivemos uma longa discussão para entendermos o que cada um chamava de quê! Vejam a minha conclusão-geral (espero que não esteja errada): a picância do chorizo era devida à páprica.

Pimentão, pimenta, pimenta-do-reino, páprica: não é exatamente assim!


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Pequenas adaptações, autodescoberta & doutorado

Oi amados! <3 Como vai o Brasil?

Sei que demorei um pouco para postar, mas é que às vezes precisamos de coisas novas e inspirações para escrever. Não que eu tenha inspiração, mas pequenas coisas novas tem todo dia por aqui...

Essa semana fiz várias coisinhas. Tenho agora um número de celular (finalmente!). Fui hoje a uma loja física comprar, já que a empresa da qual me sugeriram comprar (que não tinha loja física e era um pouco mais barato o serviço) tentou entregar várias vezes mas a máquina não reconhecia o número do passaporte e etc. Cansei, mandei cancelar, e fui na loja mesmo.

Fui ao banco e abri uma conta, que será necessária pois ficar com dinheiro vivo e usando o VTM não é tão seguro quanto ter um cartão de um banco daqui. Amanhã devo ir buscar meu cartão, e com ele poderei comprar coisas pela internet, como passagem de avião, o que facilita muito a vida de qualquer um hoje em dia.

...

Como tenho tirado pelo menos umas 2 ou 3 horas por dia para resolver estas coisas e andar um pouco pela cidade para conhecê-la (ainda que eu não tenha feito um dia inteiramente turístico, já conheço assim muitos pontos turísticos). Assim, tenho chegado em casa com as pernas doendo de tanto andar... pelo menos faço algum exercício!
Frio, sim que o faz, estão fazendo uns 8 graus de manhã, à tarde uns 14... Ontem e anteontem chuveu e eu peguei chuva! Sempre tenho essa mania de esquecer guarda chuva. Mas era chuvinha leve, com vento forte, não molhei muito mas é frio! Pelo menos meu casaco me mantinha quente enquanto o vento frio gelava o rosto! :)

...

É muito lento, para uma pessoa tímida como eu, o processo de ir conhecendo tudo e as coisas. Como aqui não tenho amizades, acabo fazendo tudo sozinho e interajo menos com as pessoas. Mas como tenho andado muito, acabo conversando rapidamente com diversas pessoas diferentes e assim vou aperfeiçoando o espanhol aos poucos.

Semana passada um casal brasileiro que faz doutorado na ULe entrou em contato comigo, pois acharam no site do Ciência Sem Fronteiras as pessoas que estão fazendo doutorado sanduíche ou doutorado pleno em León. Me convidaram e uma outra menina para irmos à casa deles na semana que vem, conversar e tapear (ir de tapas, comidinhas e bebes), creio que assim poderei interagir mais. Sérgio (o companheiro de apê) fica a maior parte do tempo terminando sua tese, e claro, tem suas próprias amizades, então nossa interação não é de amizade, mas apenas conversas sobre a casa, o tempo (sempre rola!), universidade e coisas da cidade, onde comprar tal coisa e etc. Eu sei que meu processo é lento, mas é uma imensa autodescoberta estar longe de casa, estar longe de tudo. Assim que estiver mais adaptado a isso, pretendo programar de ir conhecer outras cidades na Espanha (talvez no resto da Europa), mas preciso aguardar um pouco mais para isso. Uma coisa de cada vez, please! O mineiro do interior não aguenta, assim, não!

...

Como a vida acadêmica não pára, em um dos turnos (em geral de umas 16h até umas 22h ou mais) fico revisando nossos trabalhos, aperfeiçoando coisas para envio de publicação. Estou trabalhando e adiantando muitas coisas, daqui. Internet é uma maravilha. Sempre que estou na internet de casa, entro no skype. Assim que de vez em quando (muito frequentemente) entro em contato com alguém do Brasil. Assim me sinto mais acolhido, de longe, por minha própria terra.


Chegando à ULe
Mi despacho (Meu gabinete!)
Escrevendo para vocês desde mi despacho
 Já percebi que, apesar da distância, o tempo passa rápido! Tenho feito muitas coisas e quando converso com alguém do Brasil, meia hora passa em 5 minutos. Cheguei a ficar 3 horas no Skype!

Enfim, fiquem tranquilos que o brasileiro em León está bem! Novidades, mais, lhes conto em breve!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Divagações políticas e observações inúteis

A cada dia me adapto mais, aqui em León. Agora tudo está bem e (quase) não há melancolia.
Sergio, meu companheiro de apartamento, me ajudou com umas coisas ontem e hoje. Na verdade ele foi bastante prestativo, pois está terminando sua tese e teoricamente não pode perder muito tempo. Por isso valorizei muito seu esforço de me levar ontem de carro para buscar meu chip de celular (que não foi entregue aqui, e quando chegamos lá, também não foi entregue e por isso estou até agora sem chip, tudo isso por que a máquina não reconheceu o número de meu passaporte). Depois dessa dor de cabeça, ele acabou me deixando em um lugar para comprar lençóis e toalhas. Fui ontem, também, na universidade, para iniciar os trabalhos, mostrei meus materiais, conheci um pouco os procedimentos, combinei alguns experimentos e até ganhei uma mesinha na sala de becarios. Tudo ótimo! Por isso estou mais tranquilo...

Hoje, Sergio, novamente prestativo, me levou a Villaquilambre para tirarmos o Empadronamiento, que foi rápido e tudo nos conformes. Ainda bem que Sergio me levou, pois Villaquilambre é longe e eu teria de pegar um ônibus para outra cidade, ou coisa assim. Ele me disse que fez isso por mim pois esteve pelo Erasmus na Suécia, fez estância no Canadá e trabalhou na Inglaterra, e por isso sabe o que é não ter ninguém para ajudar nestes casos.

Ele me contou que Espanha ainda está em crise, com alguns detalhes que lembrei do Brasil. Aqui, muitos jovens estão desempregados (diz ele que o número pode estar em 50% dos jovens!), e como aí, os bancos e os ricos não sofrem com a crise (apesar de espernearem e baterem panelas!), só os pobres. Realmente, não foi uma ou duas vezes que vi gente jovem pedindo dinheiro pois estavam desempregados. Mas, de qualquer forma, aqui não existe tanta desigualdade como o Brasil. Quase não a vejo. Outra coisa interessante são as pichações, que são muitas, várias com mensagens de esquerda. Tinha até uma "Queremos Cristina" aqui. Vi que a direita governa o país, mas Sergio disse que com esses acontecimentos recentes, a próxima eleição será bem disputada e algum partido de esquerda deve se eleger. Penso eu, de que adianta se eleger uma esquerda, se ela pode dar uma guinada e satisfazer vontades da direita? O mundo é todo igual... A história é feita de fatos que se repetem. Enfim, não é meu objetivo fazer discurso político.

Depois fui sozinho lá fazer minha Tarjeta de Identidad de Extranjero. Deu alguma coisa de bafafá porque eu entrei na UE por Lisboa, e por isso meu passaporte tem só carimbo de Portugal. Por isso tive que ir na Policía, que não sabiam o que fazer, ligaram para diversos locais de Madrid e enfim me liberaram. No meu caso teriam de ter carimbado meu passaporte no aeroporto de Madrid ou eu teria de ter me dirigido à polícia em 72h e registrar chegada na Espanha. Por sorte o policial fez contatos e disse que estava tudo certo, ligou para a senhora da outra repartição e disse que podia fazer a minha identidade. Voltei ao local de retirada da carteira e conclui os procedimentos. Aproveitei para andar mais tranquilamente pelo centro de León, fui vendo preços, coisas, e acabei comprando um tenis para andar em uma loja esportiva (aqui será necessário e não trouxe um do Brasil). Voltei de ônibus e almocei por perto de casa.
Devo ir a campo no domingo ou semana que vem, e estou bem mais animado que antes, por estar já conhecendo a cidade e mais pessoas, creio que com essas perspectivas essa estância já está sendo muito válida em termos profissionais e pessoais.

A ver!
Hasta luego!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Burocracias, sentimentos, café e bizcocho

Burocracias
Hoje tirei o dia para resolver burocracias (embora nada foi resolvido)...
Mudei-me ao início do dia para minha nova morada, um apartamento em uma localidade bem próxima à universidade (Villaobispo de las Regueras), a 5 minutos a pé, mas que não é mais parte de León.

Caminhei bastante durante a manhã, fui a dois endereços diferentes que me indicaram e me informaram que devo retirar primeiro o empadronamiento (que atesta que estou morando aqui). Para isso, terei de ir a Villaquilambre, que é o município sede de Villaobispo, e não em León. Me dá até desânimo de pensar nestas coisinhas... Depois do empadronamiento, tenho de voltar para o local onde fui para retirar a tarjeta de extranjero. Voltei andando, comi numa cafeteria e fui ao supermercado, que era em frente, e logo peguei o ônibus e voltei para casa.

Sentimentos
Hoje o dia está cinzento, e frio. Fez frio quase o dia todo. Senti muitas saudades do Brasil quando voltei para casa, fiquei pensando em tudo o que deixei. Senti desânimo e a sensação de impotência num lugar longe de onde eu me criei, longe de todos que amo. É bem confuso, este início, temos sensação de tristeza por estarmos longe, mesmo sabendo que voltaremos. Temos sensação de que o tempo não vai passar e não veremos nunca mais nossa terra, nossa gente.

É difícil também entender como tudo funciona, o que comem, quando comem, onde compram, como pegam ônibus, por onde se anda... só andando mesmo para ir entendendo. E meu pé encheu-se de bolhas.

Para quem diz que quer se mudar do Brasil e não voltar, eu não entendo, neste momento, como é isso. O que me dá é só saudade e melancolia. Tudo daí me vem à cabeça; me faz falta. Só espero que essa sensação passe e que eu possa aproveitar melhor o meu tempo aqui. Até que tudo comece de fato e que esteja resolvido, eu ainda terei tais sensações.

Café e bizcocho
Foi por volta de 18h30 que chegou o dono do piso (apartamento) de volta da universidad e me mostrou como funciona tudo. Eu tinha comprado pó de café, mas não tinha achado filtro ou cafeteira... Além das coisas todas, de saber onde estavam, a cafeteira italiana foi um alento ao meu coração. Havia comprado um bolo simples (que eles chamam de BIZCOCHO!) e comi com cafezinho. Deu para matar um pouquinho da saudade... E aliviar um pouco o coração com meu tão amado café. Só faltou o pão de queijo ou o bolo ser de fubá!
Meu novo quarto. Bom demais!

<3

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Já em León - primeiro e segundo dias



Cheguei em León e o professor Álvarez me buscou e me levou para o local onde estou hospedado. Depois disso, ele combinou de encontrar ali comigo em 2 horas para que andássemos por León e eu começasse a ver como era, além de que ele não achava prudente eu dormir antes do comum aqui e atrapalhasse meu sono.

Cheguei no local, tomei um banho, tudo um pouco diferente, no banheiro, etc. mas nada que eu não pudesse compreender sozinho. Desci e encontrei com ele as 20h, que aqui é ainda claro. Começamos a andar, e ele me mostrou a catedral de León, muito bela, o Arco de la Cárcel, um ponto de referência, a basílica de San Isidoro, e tantas outras coisas, mas só por fora. Fomos direto a um bar para pedir uma caña (uma dose de cerveja, não sei ao certo quantos ml). Descobri que em León a cada caña, vinho, ou outra bebida que pede, ganha uma tapa (uma porção individual que acompanha), assim que comes muito ao tomar várias cañas. 

A primeira impressão de León foi boa... Cidade média, dá para andar a pé, muitos bares, turistas, estudantes, bem movimentada... No dia seguinte fui conhecer a Universidad, os departamentos, as pessoas, e também meu colega de moradia (o professor me apresentou a este aluno de Zoología que está no fim do doutorado e disse que tinha uma nova moradia, assim que pude ir e conhecer o apartamento que vou morar, em Villaobispo, um pueblo que fica bem pertinho da Universidad). Depois disso, almocei com ele e mais três garotas da Biología Celular, que estão já no mestrado ou doutorado. Ao longo do dia conversei bastante, mas nesta hora fiquei quase todo o tempo calado, pois com as três mulheres e o Sérgio conversando não havia espaço para falar), falei só um pouco do que vim fazer.
Depois do almoço vim procurar no centro de León a Oficina de Extranjería, acabei um pouco perdido, mas encontrei... Descobri que só abre pela manhã (9h às 12h30) e por isso não tive muito que fazer. Depois fui comprar umas frutas e pão (não comi fruta direito nos últimos dias...) e voltei para o apartamento.
Voltando para o apartamento que é perto das antigas muralhas

Me fazem muuuita falta o Brasil, as pessoas, a família, os amigos, o namorado, o carinho de todos, os laços, mas estou tentando ao máximo me adaptar. Tenho as vezes uma tristezinha de saudades, umas lágrimas de vez em quando, quando penso nisso tudo, mas estou centrando minha mente no trabalho que ainda vai começar... Tudo muito novo, diferente, nada como mexer nas bases para aprender mais, muito mais. 

Tenho um campo a ser marcado para conhecer as plantas e galhas daqui, conhecer um colaborador, tudo isso ainda esta semana. Enfim, vale a pena pensar que tudo está dando tão certo, e vai ser um ótimo trabalho.
Saudades, Brasil!

Chegando na Espanha


Oi :)
Eu sou o Bruno e vim para a Espanha pelo Ciência Sem Fronteiras, fazer parte do meu doutorado aqui. Sou botânico e sou de Minas Gerais...

Resolvi contar meus casos e descasos em León, na Espanha... Isso porque deixei muitas pessoas das quais tenho saudades e é difícil contar para todos o que tenho passado. Assim, aos que se interessem, podem ler e se sentir um pouquinho perto de mim... Cheguei em León ontem e ainda me encontro um pouco perdido pelas ruas, pelo que fazer, onde ir, mas acho que as coisas vão se ajeitando.
Chegando na Espanha

Cheguei em Madrid ontem e logo tive que, direto do Aeroporto, buscar como sair dali e ir a León. Até então, tinha somente falado português, já que meu voo era da TAP Portugal de Belo Horizonte, com conexão em Lisboa e destino em Madrid. Para mim, foi muito fácil entender o Espanhol, ainda que de vez em quando não me fiz entender e tive que repetir frases. Muitos são solícitos e me responderam prontamente.

Para sair do aeroporto, peguei um metrô da estação Aeroporto T1-T2-T3 para Chamartin. Para isso, tive que comprar um billete. Simples? Não muito. Não havia ninguém na cabine, e só podia ser comprado nas máquinas automáticas. Vi milhões de opções e fui procurar o que fazer ali. Conversei com uma moça, que só falava inglês, e ela também não sabia direito... Depois ela me mostrou um moço, então me informei com um rapaz do balcão de informações que tinha que pedir um billete sencillo de Aeroporto T1-T2-T3 para Chamartin (a máquina dá opções) e então entrar na linha 8 (até Nuevos Ministerios), onde devia fazer uma transferência para linha 10 (sentido Tres Olivos), descendo em Chamartin. Em Chamartin, tive que me informar novamente, já que há o Tren de Cercanías, e subindo algumas escadas há a estação de Trens de viagens.

Ali cheguei, uma hora antes (eu havia comprado uma passagem de trem para 3 horas após minha chegada em Madrid, mas o voo em Lisboa atrasou 1 hora), e agora um pouco aliviado. Sem almoço, parei em uma cafeteria cerca das 14h e vi que muitos almoçavam – o almoço aqui em geral é as 14h-15h e pode ser diversas coisas, e lá comi um bocadillo de vegetal y atún (sanduiche de pão em barra com atum e vegetais) e uma coca-cola. Como sou uma pessoa tímida, e por isso tenho certas dificuldades, mas só nessas horas mesmo, sozinho, para rompermos aos pouquinhos as barreiras, fui me desinibindo aos poucos. Assim que comi, fui ligar para o meu professor supervisor do doutorado sanduiche em León direto do telefone público, já que não tinha (e ainda não tenho) nenhum chip. Combinei com ele minha chegada em León, ouvi o anúncio do trem que estava chegando de outro local e indo para Oviedo e Gijón (não sei como soube que era o meu, mas procurando nos telões achei a plataforma com o trem que tinha o número da minha linha e desci, chegando lá perguntei para se ia para León e a passageira concordou e começou a dizer as outras escalas...). 

Pegando o trem


Trem saindo da Estação de Chamartín
Nunca havia andado de trem... errei o coche (vagão) e uma senhora me ajudou. Depois que cheguei ao meu vagão, minha mala era muito grande e os espanhóis (os passageiros mesmo) me ajudaram a arranjar uma solução para isso. Como fazia calor, depois disso tudo estava suando... me sentei ao lado de uma senhora que comeu maçãs e balinhas a viagem toda. Porém era silenciosa e não conversou... cansado do voo, cochilei em boas partes da viagem. Tirei fotos da vegetação em torno de Madrid, que é muito diferente da Brasileira, e eu não havia visto ainda. Estava estranhando aquilo tudo. Passei na estação de Valladolid e achei estranho que a cidade, que é grande, estava deserta. Depois, aqui em León, mais ou menos no mesmo horário, descobri que tudo fecha as 14h (para a siesta – ela realmente existe!) e reabre às 16h. Nessa hora, quase ninguém fica na rua, e as lojas estão fechadas.

Vistas da vegetação

O trem passou parte da viagem (depois da metade do caminho para León) parando e andando a 10 km/h. Achei estranho, mas o interventor anunciou que havia um problema e por isso a viagem atrasou um pouco, chegando em León cerca de 40 minutos depois. Assim que chegou em León, começou outra história...