terça-feira, 13 de outubro de 2015
León e Minas Gerais
Às vezes sinto que León é uma Minas espanhola. Ou vice-versa... A ordem não importa!
León tem um povo muito simpático e agradável, mas que ao mesmo tempo é um pouco fechado até perceberem uma abertura maior. Um pouco mineiro, desconfiado mas bem cordial! Sobre serem conservadores, eu ainda não entendi se são ou não... Apesar de eu ser mineiro e ser muitíssimo pouco conservador, eu sei que a maioria é muito conservadora, mesmo morando em uma cidade de 2 milhões e lá-vai-pedrada de gente. Mas o modo de se vestir difere entre os mais velhos e os jovens. No geral, na vestimenta León está igual ao restante da Europa, como homens (muitos) vestindo roupas justas, de várias cores, entre outras coisas que seriam consideradas "estranhas" no Brasil (e por isso só os gays, que na maior parte das vezes se vestem muito melhor - desculpa aí -, e os que são mais ousados, acabam usando), mas isso entre os jovens.
A cidade de León, como Belo Horizonte, está repleta de bares que estão sempre abertos, as pessoas têm uma cultura de ir ao bar tomar umas cañas, como em BH, onde vamos ao buteco da esquina depois do expediente...
Outra coisa - a província de León é basicamente agrícola/rural (pouco industrial), então aqui há muitos produtos de excelência que são até exportados. Há zonas que produzem vinhos, outras com carnes, chorizo, salchichón, maçãs, tomates, pimentões, hortaliças em geral, outras frutas. Muita gente tem uma "huerta" (ou um pequeno lote no campo onde colhem maçãs, peras, hortaliças, tomates, uvas, morangos, framboesas). E eles se orgulham muito de produzirem tantos produtos Leoneses que têm.
O queijo de León é maravilhoso - apesar de estar ainda experimentando - e barato se pensar nos custos das coisas (é melhor fazer isso considerando o salário e o preço da alimentação em geral no lugar, que convertendo o Euro em Real, que realmente não dá certo!). Há queijos que eles chamam de mezcla (misturado de vaca e ovelha), curado, semi-curado ou fresco, há o queijo azul, há queijo de ovelha fresco (maravilhoso!) - e claro que há outros que ainda não experimentei. Ou seja - queijo é um amor em comum com Minas Gerais!!! Só não tem pão de queijo (claro, não tem quase nada de mandioca aqui, exceto importado, senão teria comprado um polvilho já! Se eu achar faço um pãozinho de queijo pros espanhóis).
Este fim de semana fui a uma feira na Plaza de Toros, com muitos produtos da província de León, saí de lá com mel, queijo, salchichón, maçã reineta, e uma garrafa de vinho. Realmente, quem sabe aproveitar come muito bem - e comer bem é uma coisa que não dispenso.
Apesar disso, a dieta espanhola permite um certo balanço, que eu ainda não sei explicar o que é, que eu acabei emagrecendo um pouco sem muito esforço. Creio que ajuda muito o ritmo de tomar café-da-manhã, logo umas 11:30 tomar um café com leite, almoçar às 15:00, tomar um chá ou café com leite puros lá pelas 18:00, e jantar umas 21:00 ou 22:00, parece que ficamos muito tempo sem comer, mas não dá fome (e se dá você pica alguna cosa - ou belisca alguma coisa, como se diz por aqui). Outra coisa muito diferente - poucas coisas que comem são industrializadas, empacotadas...
Enfim, esse povo me lembra um pouco da mineirice, então às vezes até me sinto um pouco parecido com eles em algumas coisas. Uma coisa que difere muito é que o espanhol leonés é claríssimo e facílimo de entender, enquanto que o nosso português mineirês é "enxugado", ou seja, picamos um pouco as palavras pra economizar saliva (coisa que eu acho estupenda!).
Há pessoas de fora que dizem que o Leonés "canta", e canta mesmo, mas é uma coisa que eu sempre disse: todo sotaque canta, menos o seu! É isso, até os espanhóis de outras regiões "cantam" diferente, mas não percebem. O mesmo ocorre com mineiro, carioca, paulista, gaúcho, baiano, cearense... e todo o resto desse povo brasileiro lindo.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Español para brasileños
PAPELARIA
EU - ¿Tenéis... hum... lo que se pone cartas?
SRA. - Hum... Lo que se pone cartas... ¿Qué sería? Cartas… (Olhar de ajuda para o outro senhor).
SR. - ¿Un sobre?
SRA. - ¡Ah! ¡Lo que se pone cartas! Sobres,
sí, ¡los tenemos!
MERCADINHO
SRA. - ¿Quieres pan, verdad?
EU - Sí.
SRA. - ¿Cuál deseas?
EU - ¿Cuál está más… macio?
SRA. - Humm... ¿Macio? ¿Vacío (=vazio)?
EU - No, no, ¿cómo se dice? (gesto com as mãos)
SRA. - ¿Un más suave?
EU - Un más suave, ¡por favor!
SRA. - Vale, ¿qué tal ése está?
EU - Muy bien, ¡gracias!
SRA. - ¡A ti! (...) Macío... (Risada)
domingo, 27 de setembro de 2015
Vida, campo, castelos...
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| Castillo de los templarios - Ponferrada - Castilla y León. Instagram: @brunovskyg |
Esta semana fui a vários locais diferentes, ando conhecendo bem a cidade!
Pessoal da universidade anda mais amigo, já chamam para tomar "un cafetín" e assim me fazem me sentir melhor. Observação: tenho aprendido que en Leonês o diminutivo é "-ín" e não "-ito", quase como em português! É uma graça.
Outra coisa, encontrei uns brasileiros que foram muito legais comigo! Fui na casa de Claudia e Osvaldo e lá tinha pão-de-queijo e paçoquinha! Que maravilha... Foram muito amáveis e contaram várias histórias e costumes espanhóis! Ótimo encontrá-los.
Bandejão daqui
Descobri um comedor na universidade onde se almoça muito barato (para os padrões daqui 6 euros é almoço barato!), com primero plato (arroz, batatas com alguma carninha, ou sopa, ou algum caldo, ou salada), segundo plato (com alguma carne, acompanhada de batatas fritas ou alface e tomate - observe este ou, outro dia eu pedi a moça um pouquinho de cada e ela ficou me olhando até eu falar que não precisava, acho que ninguém tinha proposto isso!!!), tem uma sobremesa ou postre (algum doce não muito doce, ou frutas com iogurte - espanhóis acham um exagero doces muito doces, segundo os brasileiros eles acham muito doce o brigadeiro, a goiabada, etc.!). De beber? Um copo de vinho ou de cerveja (não é cerveja ou vinho ruim! Kkkkk.) ou uma garrafa de água. Sim, cada dia provei um e todos foram ótimos. E ainda, um pão (aqui todo mundo come no almoço e janta com pão). Aí você vai pegando o que te apetece, mas se não pega algo continua 6 euros. Se pega algo mais, aumenta um pouquinho... eu achei um preço bem justo e como lá às vezes.
Seminário em espanhol
Fui surpreendido para apresentar um seminário sobre nossa pesquisa e o que vim fazer aqui. Claro que tive uns dias para preparar e o apresentei na terça passada. Em espanhol! Parece que gostaram, disseram que meu espanhol está muito bom, e perguntaram tanto que o seminário durou 1h45! Nossas pesquisas os interessaram muito.
Mercado medieval
Aqui em León acontecem uma vez ao ano, no outono, as Festas de San Froilán, e daí tinha o mercado medieval, no casco antiguo da cidade (região dentro das muralhas medievais), e os donos das tendas todos estavam a caráter (de árabe, judeu, ou cristão medieval), vendendo mil coisas legais, tinha camelo, carroussel medieval, e até aquelas músicas medievais pagãs. Muito legal...
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| Mercado medieval - festas de San Froilán - León. Instagram: @brunovskyg |
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| Mercado Medieval - festas de San Froilán - León. Instagram: @brunovskyg |
As festas de San Froilán continuam com diversas apresentações, vou ver se vou no próximo fim de semana conhecer um pouco mais dos costumes daqui.
Campo e um pouco mais de Castilla y León
Hoje saímos cedo e acabei por conhecer várias coisas. Vi um pouco de Astorga, e a Catedral de Gaudí (tenho que voltar para parar e conhecer direito), Ponferrada e o Castillo de los templarios (magnífico!), e um pouco dos pueblos (mais interior) da região de Bierzos, que também pertence a comunidad autónoma de Castilla y León. Ali, fomos conhecer muitas plantas com as quais vou trabalhar e depois almoçamos num restaurante tipico. Ah... quase ia me esquecendo, nunca comi tantas frutas no campo (claro, são daqui e às vezes ocorrem como mato): amoras grandes, framboesas, uvas, e maçãs! Muito bom :)
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| Maravillosas manzanas! Instagram: @brunovskyg |
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| Botânico (tímido) em Espanha. Instagram: @brunovskyg |
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| Las Médulas - El Bierzo - Castilla y León. Instagram: @brunovskyg |
Bom... creio que é isto! Vou tentar escrever mais para não fazer posts tão longos! :D
Que tengan una buena semana!
sábado, 19 de setembro de 2015
Pimentas e tal
Outro dia fui a um bar onde se pedia uma caña, e de tapas vinha um Chorizo em um molho, um chorizo cocido (cozido).
Para quem não sabe, aqui na Espanha tem um embutido que se chama chorizo e é diferente do nosso chouriço. Eu não sei explicar muito bem o que é, é meio uma linguiça ou meio um salaminho, que pode cortar e comer ou utilizar em pratos. E sim, é muito bom!
Que eu saiba, no Brasil o chouriço é enchido com sangue de porco, mas aqui o chorizo é com carne mesmo. (Porém, pelo que vi na internet há em Portugal o chouriço com carne e o chouriço de sangue).
Essa é a aparência do chorizo:
Então, continuando o assunto, tinha comprado um chorizo que pica (picante) e resolvi fazer cozido com batatas, pimentão e molho de tomate.
Para quem não sabe, aqui na Espanha tem um embutido que se chama chorizo e é diferente do nosso chouriço. Eu não sei explicar muito bem o que é, é meio uma linguiça ou meio um salaminho, que pode cortar e comer ou utilizar em pratos. E sim, é muito bom!
Que eu saiba, no Brasil o chouriço é enchido com sangue de porco, mas aqui o chorizo é com carne mesmo. (Porém, pelo que vi na internet há em Portugal o chouriço com carne e o chouriço de sangue).
Essa é a aparência do chorizo:
| https://es.wikipedia.org/wiki/Chorizo |
O Sergio apareceu e quis provar, disse que é muito comum na Espanha. Ele então provou e gostou do meu prato improvisado... Nota 10 para o Bruno! =D
Surgiu no meio disso tudo, uma discussão interessante: o nome de pimentas e tal em espanhol e português.
A coisa ficou tão complexa que ele quase pegou um papel para fazermos um esquema da coisa. Tudo isso porque ele disse que a picância do Chorizo era devida ao pimentón. Como eu sabia, pimentão (em português) é pimiento (em espanhol). Então tivemos uma longa discussão para entendermos o que cada um chamava de quê! Vejam a minha conclusão-geral (espero que não esteja errada): a picância do chorizo era devida à páprica.
A coisa ficou tão complexa que ele quase pegou um papel para fazermos um esquema da coisa. Tudo isso porque ele disse que a picância do Chorizo era devida ao pimentón. Como eu sabia, pimentão (em português) é pimiento (em espanhol). Então tivemos uma longa discussão para entendermos o que cada um chamava de quê! Vejam a minha conclusão-geral (espero que não esteja errada): a picância do chorizo era devida à páprica.
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| Pimentão, pimenta, pimenta-do-reino, páprica: não é exatamente assim! |
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Pequenas adaptações, autodescoberta & doutorado
Oi amados! <3 Como vai o Brasil?
Sei que demorei um pouco para postar, mas é que às vezes precisamos de coisas novas e inspirações para escrever. Não que eu tenha inspiração, mas pequenas coisas novas tem todo dia por aqui...
Essa semana fiz várias coisinhas. Tenho agora um número de celular (finalmente!). Fui hoje a uma loja física comprar, já que a empresa da qual me sugeriram comprar (que não tinha loja física e era um pouco mais barato o serviço) tentou entregar várias vezes mas a máquina não reconhecia o número do passaporte e etc. Cansei, mandei cancelar, e fui na loja mesmo.
Fui ao banco e abri uma conta, que será necessária pois ficar com dinheiro vivo e usando o VTM não é tão seguro quanto ter um cartão de um banco daqui. Amanhã devo ir buscar meu cartão, e com ele poderei comprar coisas pela internet, como passagem de avião, o que facilita muito a vida de qualquer um hoje em dia.
...
Como tenho tirado pelo menos umas 2 ou 3 horas por dia para resolver estas coisas e andar um pouco pela cidade para conhecê-la (ainda que eu não tenha feito um dia inteiramente turístico, já conheço assim muitos pontos turísticos). Assim, tenho chegado em casa com as pernas doendo de tanto andar... pelo menos faço algum exercício!
Frio, sim que o faz, estão fazendo uns 8 graus de manhã, à tarde uns 14... Ontem e anteontem chuveu e eu peguei chuva! Sempre tenho essa mania de esquecer guarda chuva. Mas era chuvinha leve, com vento forte, não molhei muito mas é frio! Pelo menos meu casaco me mantinha quente enquanto o vento frio gelava o rosto! :)
...
É muito lento, para uma pessoa tímida como eu, o processo de ir conhecendo tudo e as coisas. Como aqui não tenho amizades, acabo fazendo tudo sozinho e interajo menos com as pessoas. Mas como tenho andado muito, acabo conversando rapidamente com diversas pessoas diferentes e assim vou aperfeiçoando o espanhol aos poucos.
Semana passada um casal brasileiro que faz doutorado na ULe entrou em contato comigo, pois acharam no site do Ciência Sem Fronteiras as pessoas que estão fazendo doutorado sanduíche ou doutorado pleno em León. Me convidaram e uma outra menina para irmos à casa deles na semana que vem, conversar e tapear (ir de tapas, comidinhas e bebes), creio que assim poderei interagir mais. Sérgio (o companheiro de apê) fica a maior parte do tempo terminando sua tese, e claro, tem suas próprias amizades, então nossa interação não é de amizade, mas apenas conversas sobre a casa, o tempo (sempre rola!), universidade e coisas da cidade, onde comprar tal coisa e etc. Eu sei que meu processo é lento, mas é uma imensa autodescoberta estar longe de casa, estar longe de tudo. Assim que estiver mais adaptado a isso, pretendo programar de ir conhecer outras cidades na Espanha (talvez no resto da Europa), mas preciso aguardar um pouco mais para isso. Uma coisa de cada vez, please! O mineiro do interior não aguenta, assim, não!
...
Como a vida acadêmica não pára, em um dos turnos (em geral de umas 16h até umas 22h ou mais) fico revisando nossos trabalhos, aperfeiçoando coisas para envio de publicação. Estou trabalhando e adiantando muitas coisas, daqui. Internet é uma maravilha. Sempre que estou na internet de casa, entro no skype. Assim que de vez em quando (muito frequentemente) entro em contato com alguém do Brasil. Assim me sinto mais acolhido, de longe, por minha própria terra.
Já percebi que, apesar da distância, o tempo passa rápido! Tenho feito muitas coisas e quando converso com alguém do Brasil, meia hora passa em 5 minutos. Cheguei a ficar 3 horas no Skype!
Enfim, fiquem tranquilos que o brasileiro em León está bem! Novidades, mais, lhes conto em breve!
Sei que demorei um pouco para postar, mas é que às vezes precisamos de coisas novas e inspirações para escrever. Não que eu tenha inspiração, mas pequenas coisas novas tem todo dia por aqui...
Essa semana fiz várias coisinhas. Tenho agora um número de celular (finalmente!). Fui hoje a uma loja física comprar, já que a empresa da qual me sugeriram comprar (que não tinha loja física e era um pouco mais barato o serviço) tentou entregar várias vezes mas a máquina não reconhecia o número do passaporte e etc. Cansei, mandei cancelar, e fui na loja mesmo.
Fui ao banco e abri uma conta, que será necessária pois ficar com dinheiro vivo e usando o VTM não é tão seguro quanto ter um cartão de um banco daqui. Amanhã devo ir buscar meu cartão, e com ele poderei comprar coisas pela internet, como passagem de avião, o que facilita muito a vida de qualquer um hoje em dia.
...
Como tenho tirado pelo menos umas 2 ou 3 horas por dia para resolver estas coisas e andar um pouco pela cidade para conhecê-la (ainda que eu não tenha feito um dia inteiramente turístico, já conheço assim muitos pontos turísticos). Assim, tenho chegado em casa com as pernas doendo de tanto andar... pelo menos faço algum exercício!
Frio, sim que o faz, estão fazendo uns 8 graus de manhã, à tarde uns 14... Ontem e anteontem chuveu e eu peguei chuva! Sempre tenho essa mania de esquecer guarda chuva. Mas era chuvinha leve, com vento forte, não molhei muito mas é frio! Pelo menos meu casaco me mantinha quente enquanto o vento frio gelava o rosto! :)
...
É muito lento, para uma pessoa tímida como eu, o processo de ir conhecendo tudo e as coisas. Como aqui não tenho amizades, acabo fazendo tudo sozinho e interajo menos com as pessoas. Mas como tenho andado muito, acabo conversando rapidamente com diversas pessoas diferentes e assim vou aperfeiçoando o espanhol aos poucos.
Semana passada um casal brasileiro que faz doutorado na ULe entrou em contato comigo, pois acharam no site do Ciência Sem Fronteiras as pessoas que estão fazendo doutorado sanduíche ou doutorado pleno em León. Me convidaram e uma outra menina para irmos à casa deles na semana que vem, conversar e tapear (ir de tapas, comidinhas e bebes), creio que assim poderei interagir mais. Sérgio (o companheiro de apê) fica a maior parte do tempo terminando sua tese, e claro, tem suas próprias amizades, então nossa interação não é de amizade, mas apenas conversas sobre a casa, o tempo (sempre rola!), universidade e coisas da cidade, onde comprar tal coisa e etc. Eu sei que meu processo é lento, mas é uma imensa autodescoberta estar longe de casa, estar longe de tudo. Assim que estiver mais adaptado a isso, pretendo programar de ir conhecer outras cidades na Espanha (talvez no resto da Europa), mas preciso aguardar um pouco mais para isso. Uma coisa de cada vez, please! O mineiro do interior não aguenta, assim, não!
...
Como a vida acadêmica não pára, em um dos turnos (em geral de umas 16h até umas 22h ou mais) fico revisando nossos trabalhos, aperfeiçoando coisas para envio de publicação. Estou trabalhando e adiantando muitas coisas, daqui. Internet é uma maravilha. Sempre que estou na internet de casa, entro no skype. Assim que de vez em quando (muito frequentemente) entro em contato com alguém do Brasil. Assim me sinto mais acolhido, de longe, por minha própria terra.
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| Chegando à ULe |
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| Mi despacho (Meu gabinete!) |
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| Escrevendo para vocês desde mi despacho |
Enfim, fiquem tranquilos que o brasileiro em León está bem! Novidades, mais, lhes conto em breve!
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Divagações políticas e observações inúteis
A cada dia me adapto mais, aqui em León. Agora tudo está bem e (quase) não há melancolia.
Sergio, meu companheiro de apartamento, me ajudou com umas coisas ontem e hoje. Na verdade ele foi bastante prestativo, pois está terminando sua tese e teoricamente não pode perder muito tempo. Por isso valorizei muito seu esforço de me levar ontem de carro para buscar meu chip de celular (que não foi entregue aqui, e quando chegamos lá, também não foi entregue e por isso estou até agora sem chip, tudo isso por que a máquina não reconheceu o número de meu passaporte). Depois dessa dor de cabeça, ele acabou me deixando em um lugar para comprar lençóis e toalhas. Fui ontem, também, na universidade, para iniciar os trabalhos, mostrei meus materiais, conheci um pouco os procedimentos, combinei alguns experimentos e até ganhei uma mesinha na sala de becarios. Tudo ótimo! Por isso estou mais tranquilo...
Hoje, Sergio, novamente prestativo, me levou a Villaquilambre para tirarmos o Empadronamiento, que foi rápido e tudo nos conformes. Ainda bem que Sergio me levou, pois Villaquilambre é longe e eu teria de pegar um ônibus para outra cidade, ou coisa assim. Ele me disse que fez isso por mim pois esteve pelo Erasmus na Suécia, fez estância no Canadá e trabalhou na Inglaterra, e por isso sabe o que é não ter ninguém para ajudar nestes casos.
Ele me contou que Espanha ainda está em crise, com alguns detalhes que lembrei do Brasil. Aqui, muitos jovens estão desempregados (diz ele que o número pode estar em 50% dos jovens!), e como aí, os bancos e os ricos não sofrem com a crise (apesar de espernearem e baterem panelas!), só os pobres. Realmente, não foi uma ou duas vezes que vi gente jovem pedindo dinheiro pois estavam desempregados. Mas, de qualquer forma, aqui não existe tanta desigualdade como o Brasil. Quase não a vejo. Outra coisa interessante são as pichações, que são muitas, várias com mensagens de esquerda. Tinha até uma "Queremos Cristina" aqui. Vi que a direita governa o país, mas Sergio disse que com esses acontecimentos recentes, a próxima eleição será bem disputada e algum partido de esquerda deve se eleger. Penso eu, de que adianta se eleger uma esquerda, se ela pode dar uma guinada e satisfazer vontades da direita? O mundo é todo igual... A história é feita de fatos que se repetem. Enfim, não é meu objetivo fazer discurso político.
Depois fui sozinho lá fazer minha Tarjeta de Identidad de Extranjero. Deu alguma coisa de bafafá porque eu entrei na UE por Lisboa, e por isso meu passaporte tem só carimbo de Portugal. Por isso tive que ir na Policía, que não sabiam o que fazer, ligaram para diversos locais de Madrid e enfim me liberaram. No meu caso teriam de ter carimbado meu passaporte no aeroporto de Madrid ou eu teria de ter me dirigido à polícia em 72h e registrar chegada na Espanha. Por sorte o policial fez contatos e disse que estava tudo certo, ligou para a senhora da outra repartição e disse que podia fazer a minha identidade. Voltei ao local de retirada da carteira e conclui os procedimentos. Aproveitei para andar mais tranquilamente pelo centro de León, fui vendo preços, coisas, e acabei comprando um tenis para andar em uma loja esportiva (aqui será necessário e não trouxe um do Brasil). Voltei de ônibus e almocei por perto de casa.
Devo ir a campo no domingo ou semana que vem, e estou bem mais animado que antes, por estar já conhecendo a cidade e mais pessoas, creio que com essas perspectivas essa estância já está sendo muito válida em termos profissionais e pessoais.
A ver!
Hasta luego!
Sergio, meu companheiro de apartamento, me ajudou com umas coisas ontem e hoje. Na verdade ele foi bastante prestativo, pois está terminando sua tese e teoricamente não pode perder muito tempo. Por isso valorizei muito seu esforço de me levar ontem de carro para buscar meu chip de celular (que não foi entregue aqui, e quando chegamos lá, também não foi entregue e por isso estou até agora sem chip, tudo isso por que a máquina não reconheceu o número de meu passaporte). Depois dessa dor de cabeça, ele acabou me deixando em um lugar para comprar lençóis e toalhas. Fui ontem, também, na universidade, para iniciar os trabalhos, mostrei meus materiais, conheci um pouco os procedimentos, combinei alguns experimentos e até ganhei uma mesinha na sala de becarios. Tudo ótimo! Por isso estou mais tranquilo...
Hoje, Sergio, novamente prestativo, me levou a Villaquilambre para tirarmos o Empadronamiento, que foi rápido e tudo nos conformes. Ainda bem que Sergio me levou, pois Villaquilambre é longe e eu teria de pegar um ônibus para outra cidade, ou coisa assim. Ele me disse que fez isso por mim pois esteve pelo Erasmus na Suécia, fez estância no Canadá e trabalhou na Inglaterra, e por isso sabe o que é não ter ninguém para ajudar nestes casos.
Ele me contou que Espanha ainda está em crise, com alguns detalhes que lembrei do Brasil. Aqui, muitos jovens estão desempregados (diz ele que o número pode estar em 50% dos jovens!), e como aí, os bancos e os ricos não sofrem com a crise (apesar de espernearem e baterem panelas!), só os pobres. Realmente, não foi uma ou duas vezes que vi gente jovem pedindo dinheiro pois estavam desempregados. Mas, de qualquer forma, aqui não existe tanta desigualdade como o Brasil. Quase não a vejo. Outra coisa interessante são as pichações, que são muitas, várias com mensagens de esquerda. Tinha até uma "Queremos Cristina" aqui. Vi que a direita governa o país, mas Sergio disse que com esses acontecimentos recentes, a próxima eleição será bem disputada e algum partido de esquerda deve se eleger. Penso eu, de que adianta se eleger uma esquerda, se ela pode dar uma guinada e satisfazer vontades da direita? O mundo é todo igual... A história é feita de fatos que se repetem. Enfim, não é meu objetivo fazer discurso político.
Depois fui sozinho lá fazer minha Tarjeta de Identidad de Extranjero. Deu alguma coisa de bafafá porque eu entrei na UE por Lisboa, e por isso meu passaporte tem só carimbo de Portugal. Por isso tive que ir na Policía, que não sabiam o que fazer, ligaram para diversos locais de Madrid e enfim me liberaram. No meu caso teriam de ter carimbado meu passaporte no aeroporto de Madrid ou eu teria de ter me dirigido à polícia em 72h e registrar chegada na Espanha. Por sorte o policial fez contatos e disse que estava tudo certo, ligou para a senhora da outra repartição e disse que podia fazer a minha identidade. Voltei ao local de retirada da carteira e conclui os procedimentos. Aproveitei para andar mais tranquilamente pelo centro de León, fui vendo preços, coisas, e acabei comprando um tenis para andar em uma loja esportiva (aqui será necessário e não trouxe um do Brasil). Voltei de ônibus e almocei por perto de casa.
Devo ir a campo no domingo ou semana que vem, e estou bem mais animado que antes, por estar já conhecendo a cidade e mais pessoas, creio que com essas perspectivas essa estância já está sendo muito válida em termos profissionais e pessoais.
A ver!
Hasta luego!
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Burocracias, sentimentos, café e bizcocho
Burocracias
Hoje tirei o dia para resolver burocracias (embora nada foi resolvido)...
Mudei-me ao início do dia para minha nova morada, um apartamento em uma localidade bem próxima à universidade (Villaobispo de las Regueras), a 5 minutos a pé, mas que não é mais parte de León.
Caminhei bastante durante a manhã, fui a dois endereços diferentes que me indicaram e me informaram que devo retirar primeiro o empadronamiento (que atesta que estou morando aqui). Para isso, terei de ir a Villaquilambre, que é o município sede de Villaobispo, e não em León. Me dá até desânimo de pensar nestas coisinhas... Depois do empadronamiento, tenho de voltar para o local onde fui para retirar a tarjeta de extranjero. Voltei andando, comi numa cafeteria e fui ao supermercado, que era em frente, e logo peguei o ônibus e voltei para casa.
Sentimentos
Hoje o dia está cinzento, e frio. Fez frio quase o dia todo. Senti muitas saudades do Brasil quando voltei para casa, fiquei pensando em tudo o que deixei. Senti desânimo e a sensação de impotência num lugar longe de onde eu me criei, longe de todos que amo. É bem confuso, este início, temos sensação de tristeza por estarmos longe, mesmo sabendo que voltaremos. Temos sensação de que o tempo não vai passar e não veremos nunca mais nossa terra, nossa gente.
É difícil também entender como tudo funciona, o que comem, quando comem, onde compram, como pegam ônibus, por onde se anda... só andando mesmo para ir entendendo. E meu pé encheu-se de bolhas.
Para quem diz que quer se mudar do Brasil e não voltar, eu não entendo, neste momento, como é isso. O que me dá é só saudade e melancolia. Tudo daí me vem à cabeça; me faz falta. Só espero que essa sensação passe e que eu possa aproveitar melhor o meu tempo aqui. Até que tudo comece de fato e que esteja resolvido, eu ainda terei tais sensações.
Café e bizcocho
Foi por volta de 18h30 que chegou o dono do piso (apartamento) de volta da universidad e me mostrou como funciona tudo. Eu tinha comprado pó de café, mas não tinha achado filtro ou cafeteira... Além das coisas todas, de saber onde estavam, a cafeteira italiana foi um alento ao meu coração. Havia comprado um bolo simples (que eles chamam de BIZCOCHO!) e comi com cafezinho. Deu para matar um pouquinho da saudade... E aliviar um pouco o coração com meu tão amado café. Só faltou o pão de queijo ou o bolo ser de fubá!
<3
Hoje tirei o dia para resolver burocracias (embora nada foi resolvido)...
Mudei-me ao início do dia para minha nova morada, um apartamento em uma localidade bem próxima à universidade (Villaobispo de las Regueras), a 5 minutos a pé, mas que não é mais parte de León.
Caminhei bastante durante a manhã, fui a dois endereços diferentes que me indicaram e me informaram que devo retirar primeiro o empadronamiento (que atesta que estou morando aqui). Para isso, terei de ir a Villaquilambre, que é o município sede de Villaobispo, e não em León. Me dá até desânimo de pensar nestas coisinhas... Depois do empadronamiento, tenho de voltar para o local onde fui para retirar a tarjeta de extranjero. Voltei andando, comi numa cafeteria e fui ao supermercado, que era em frente, e logo peguei o ônibus e voltei para casa.
Sentimentos
Hoje o dia está cinzento, e frio. Fez frio quase o dia todo. Senti muitas saudades do Brasil quando voltei para casa, fiquei pensando em tudo o que deixei. Senti desânimo e a sensação de impotência num lugar longe de onde eu me criei, longe de todos que amo. É bem confuso, este início, temos sensação de tristeza por estarmos longe, mesmo sabendo que voltaremos. Temos sensação de que o tempo não vai passar e não veremos nunca mais nossa terra, nossa gente.
É difícil também entender como tudo funciona, o que comem, quando comem, onde compram, como pegam ônibus, por onde se anda... só andando mesmo para ir entendendo. E meu pé encheu-se de bolhas.
Para quem diz que quer se mudar do Brasil e não voltar, eu não entendo, neste momento, como é isso. O que me dá é só saudade e melancolia. Tudo daí me vem à cabeça; me faz falta. Só espero que essa sensação passe e que eu possa aproveitar melhor o meu tempo aqui. Até que tudo comece de fato e que esteja resolvido, eu ainda terei tais sensações.
Café e bizcocho
Foi por volta de 18h30 que chegou o dono do piso (apartamento) de volta da universidad e me mostrou como funciona tudo. Eu tinha comprado pó de café, mas não tinha achado filtro ou cafeteira... Além das coisas todas, de saber onde estavam, a cafeteira italiana foi um alento ao meu coração. Havia comprado um bolo simples (que eles chamam de BIZCOCHO!) e comi com cafezinho. Deu para matar um pouquinho da saudade... E aliviar um pouco o coração com meu tão amado café. Só faltou o pão de queijo ou o bolo ser de fubá!
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| Meu novo quarto. Bom demais! |
<3
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Já em León - primeiro e segundo dias
Cheguei em León e o professor Álvarez me buscou e me levou para o local onde estou hospedado. Depois disso, ele
combinou de encontrar ali comigo em 2 horas para que andássemos por León e eu
começasse a ver como era, além de que ele
não achava prudente eu dormir antes do comum aqui e atrapalhasse meu sono.
Cheguei no local, tomei um banho, tudo um pouco diferente,
no banheiro, etc. mas nada que eu não pudesse compreender sozinho. Desci e encontrei
com ele as 20h, que aqui é ainda claro. Começamos a andar, e ele me mostrou a
catedral de León, muito bela, o Arco de la Cárcel, um ponto de referência, a
basílica de San Isidoro, e tantas outras coisas, mas só por fora. Fomos direto
a um bar para pedir uma caña (uma dose de cerveja, não sei ao certo quantos
ml). Descobri que em León a cada caña, vinho, ou outra bebida que
pede, ganha uma tapa (uma porção individual que acompanha), assim que comes muito ao tomar
várias cañas.
A primeira impressão de León foi boa... Cidade média, dá para andar a pé, muitos bares, turistas, estudantes, bem movimentada... No dia seguinte fui conhecer a Universidad, os
departamentos, as pessoas, e também meu colega de moradia (o professor me
apresentou a este aluno de Zoología que está no fim do doutorado e disse que
tinha uma nova moradia, assim que pude ir e conhecer o apartamento que vou morar, em Villaobispo, um pueblo que fica bem pertinho da Universidad).
Depois disso, almocei com ele e mais três garotas da Biología Celular, que
estão já no mestrado ou doutorado. Ao longo do dia conversei bastante, mas
nesta hora fiquei quase todo o tempo calado, pois com as três mulheres e o
Sérgio conversando não havia espaço para falar), falei só um pouco do que vim fazer.
Depois do almoço vim procurar no centro de León a Oficina de
Extranjería, acabei um pouco perdido, mas encontrei... Descobri que só abre
pela manhã (9h às 12h30) e por isso não tive muito que fazer. Depois fui comprar
umas frutas e pão (não comi fruta direito nos últimos dias...) e voltei para o
apartamento.
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| Voltando para o apartamento que é perto das antigas muralhas |
Me fazem muuuita falta o Brasil, as pessoas, a família, os amigos, o
namorado, o carinho de todos, os laços, mas estou tentando ao máximo me
adaptar. Tenho as vezes uma tristezinha de saudades, umas lágrimas de vez em
quando, quando penso nisso tudo, mas estou centrando minha mente no trabalho
que ainda vai começar... Tudo muito novo, diferente, nada como mexer nas bases
para aprender mais, muito mais.
Tenho um campo a ser marcado para conhecer as plantas e
galhas daqui, conhecer um colaborador, tudo isso ainda esta semana. Enfim, vale
a pena pensar que tudo está dando tão certo, e vai ser um ótimo trabalho.
Saudades, Brasil!
Chegando na Espanha
Oi :)
Eu sou o Bruno e vim para a Espanha pelo Ciência Sem Fronteiras, fazer parte do meu doutorado aqui. Sou botânico e sou de Minas Gerais...
Resolvi contar meus casos e descasos em León, na Espanha... Isso porque deixei muitas pessoas das quais tenho saudades e é difícil contar para todos o que tenho passado. Assim, aos que se interessem, podem ler e se sentir um pouquinho perto de mim... Cheguei em León ontem e ainda me encontro um pouco perdido
pelas ruas, pelo que fazer, onde ir, mas acho que as coisas vão se ajeitando.
Chegando na Espanha
Cheguei em Madrid ontem e logo tive que, direto do
Aeroporto, buscar como sair dali e ir a León. Até então, tinha somente falado
português, já que meu voo era da TAP Portugal de Belo Horizonte, com conexão em
Lisboa e destino em Madrid. Para mim, foi muito fácil entender o Espanhol,
ainda que de vez em quando não me fiz entender e tive que repetir frases. Muitos
são solícitos e me responderam prontamente.
Para sair do aeroporto, peguei um metrô da estação Aeroporto
T1-T2-T3 para Chamartin. Para isso, tive que comprar um billete. Simples? Não
muito. Não havia ninguém na cabine, e só podia ser comprado nas máquinas
automáticas. Vi milhões de opções e fui procurar o que fazer ali. Conversei com uma moça, que só falava inglês, e ela também não sabia direito... Depois ela me mostrou um moço, então me informei
com um rapaz do balcão de informações que tinha que pedir um billete sencillo
de Aeroporto T1-T2-T3 para Chamartin (a máquina dá opções) e então entrar na
linha 8 (até Nuevos Ministerios), onde devia fazer uma transferência para linha
10 (sentido Tres Olivos), descendo em Chamartin. Em Chamartin, tive que me informar
novamente, já que há o Tren de Cercanías, e subindo algumas escadas há a
estação de Trens de viagens.
Ali cheguei, uma hora antes (eu havia comprado uma passagem
de trem para 3 horas após minha chegada em Madrid, mas o voo em Lisboa atrasou
1 hora), e agora um pouco aliviado. Sem almoço, parei em uma cafeteria cerca
das 14h e vi que muitos almoçavam – o almoço aqui em geral é as 14h-15h e pode ser diversas coisas, e
lá comi um bocadillo de vegetal y atún (sanduiche de pão em barra com atum e
vegetais) e uma coca-cola. Como sou uma pessoa tímida, e por isso tenho certas dificuldades, mas só nessas horas mesmo, sozinho, para rompermos aos pouquinhos as barreiras, fui me
desinibindo aos poucos. Assim que comi, fui ligar para o meu professor supervisor
do doutorado sanduiche em León direto do telefone público, já que não tinha (e
ainda não tenho) nenhum chip. Combinei com ele minha chegada em León, ouvi o anúncio
do trem que estava chegando de outro local e indo para Oviedo e Gijón (não sei
como soube que era o meu, mas procurando nos telões achei a plataforma com o
trem que tinha o número da minha linha e desci, chegando lá perguntei para se
ia para León e a passageira concordou e começou a dizer as outras escalas...).
Pegando o trem
Nunca havia andado de trem... errei o coche (vagão) e uma
senhora me ajudou. Depois que cheguei ao meu vagão, minha mala era muito grande
e os espanhóis (os passageiros mesmo) me ajudaram a arranjar uma solução para
isso. Como fazia calor, depois disso tudo estava suando... me sentei ao lado de
uma senhora que comeu maçãs e balinhas a viagem toda. Porém era silenciosa e
não conversou... cansado do voo, cochilei em boas partes da viagem. Tirei fotos
da vegetação em torno de Madrid, que é muito diferente da Brasileira, e eu não
havia visto ainda. Estava estranhando aquilo tudo. Passei na estação de
Valladolid e achei estranho que a cidade, que é grande, estava deserta. Depois,
aqui em León, mais ou menos no mesmo horário, descobri que tudo fecha as 14h
(para a siesta – ela realmente existe!) e reabre às 16h. Nessa hora, quase
ninguém fica na rua, e as lojas estão fechadas.
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| Vistas da vegetação |
O trem passou parte da viagem (depois da metade do caminho
para León) parando e andando a 10 km/h. Achei estranho, mas o interventor anunciou
que havia um problema e por isso a viagem atrasou um pouco, chegando em León
cerca de 40 minutos depois. Assim que chegou em León, começou outra história...
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